Em 2019 o Domingo de Páscoa ocorre no dia 21 de abril.
A data da Páscoa é definida como o primeiro Domingo a seguir à primeira Lua Cheia após o Equinócio da Primavera no hemisfério Norte.
Para o cálculo do Domingo de Páscoa não se consideram os verdadeiros instantes de Lua Cheia e de equinócio, mas sim valores aproximados que foram definidos pela igreja no Concílio de Niceia (já no século IV). Essas datas são conhecidas por Lua Cheia eclesiástica e equinócio eclesiástico. Há várias razões históricas para essa decisão, uma delas é obter uma data única para a Páscoa em todos os países cristãos. Por exemplo, em anos como 2019, em Portugal o equinócio é no dia 20 à noite e a Lua Cheia no dia 21 de madrugada, mas devido aos diferentes fusos horários, o equinócio é já no dia 21 nos países asiáticos. Assim, a Páscoa seria logo em março na Europa, mas teria de se esperar pela Lua de Abril para os países asiáticos (já que a Lua de março, sendo no mesmo dia do equinócio já não contaria).
Assim definiu-se o equinócio eclesiástico como sendo 21 de março sempre, independentemente do equinócio astronómico.
Quanto à Lua Cheia eclesiástica, é definida como o 14º dia de um certo mês de um certo calendário lunar. Em geral o dia de Lua Cheia eclesiástica pode calhar até a um máximo de 2 dias de diferença do verdadeiro dia de Lua Cheia. Esta Lua é definida desta forma complicada, para que a Páscoa cristã não se afaste muito da Páscoa judaica que é definida com base num calendário lunar.
Assim sendo, este ano acontece que a Lua Cheia eclesiástica de março não ocorre depois do equinócio eclesiástico e assim a primeira Lua Cheia (eclesiástica) após o equinócio (eclesiástico) é a de Abril.
Esta surpresa de ter a Páscoa em Abril, embora haja uma Lua Cheia astronómica em março logo após o equinócio astronómico, vai ocorrer mais algumas vezes nas próximas décadas, pois estamos num período em que o equinócio astronómico ocorre a 20 e não a 21 de março. Caso contrário, esta discrepância não ocorreria e assim, se explica porque este ano celebra-se a Páscoa a 21 de abril e não a 24 de março.
Contexto Histórico
Como já referimos anteriormente a escolha do Domingo de Páscoa junta três acontecimentos fundamentais no cristianismo:
- A Primavera
- A Lua Cheia
- A Páscoa Cristã
A Primavera. Quando Moisés tirou o povo hebreu do Egipto e conduziu-o para o deserto numa data algo indefinida, fez uma mudança importante no calendário judaico, como vem referido no texto bíblico do Êxodo (23,14-17). Moisés e Aarão foram instruídos para alterar a tradição do início do ano civil no sétimo mês (Ethanim, no equinócio de outono) para o primeiro mês em que começa a primavera, o mês Aviv onde se fazia a colheita da cevada, também de nome Nisan (ou Nisã), pois foi nessa época que aconteceu o Êxodo.
A Lua Cheia. Nos calendários lunares como o judaico, o mês inicia-se com o primeiro avistamento do crescente lunar, tecnicamente na Lua Nova. Os meses são de 29 ou 30 dias pois o período das lunações (mês sinódico) é de 29,53 dias. Assim, 1 ano civil pode ter 12 meses (ou normal com 354 dias) ou 13 meses lunares (ou bissexto, com 385 dias), que no calendário israelita designa-se por embolísmico. O texto bíblico do Êxodo (12,18) indica que a festa dos pães ázimos, que precedeu a saída do Egipto, deve celebrar-se do dia 15 ao 21 de Nisan. O dia 15 dum mês lunar corresponde à Lua Cheia.
A Páscoa Cristã. Jesus Cristo foi a Jerusalém celebrar a Páscoa judaica, é crucificado e morre na 6ª feira a 15 de Nisan, mas a festividade principal nesse ano ficou para o dia santo hebraico, o Sábado. No primeiro dia da semana, o domingo, é celebrada a Sua ressurreição (Lucas, 24).
Daí em diante o povo cristão quis celebrar a Páscoa como a ressurreição de Cristo ao domingo. Porém, para manter a tradição judaica usada em muitos locais, os outros dois fatores foram respeitados: o início da primavera e a Lua Cheia.
Feliz Páscoa 2019!
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