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O grupo de galáxias “Gato de Cheshire” | Observatório Astronómico de Lisboa

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Como uma bola de árvore de Natal: o grupo de galáxias “Gato de Cheshire” (da Alice no País das Maravilhas).

A astronomia tem sido rica em imagens de lentes gravitacionais, um efeito previsto pela Teoria da Relatividade Geral e que, em 1919, teve o seu primeiro teste na ilha do Príncipe e no Brasil, observações conduzidas pelo astrónomo Arthur Eddington. Pode ver aqui fotos obtidas por Eddington e que estão no OAL e um bom resumo sobre este tema no artigo da Gazeta de Física, da Sociedade Portuguesa de Física.

Estas imagens permitem calcular a massa total dos objectos que fazem de lente, assim como as  propriedades das galáxias muito mais longínquas, cuja luz inicialmente dispersa não poderia ser detectada. É o efeito de concentração da luz pela lente que permite observá-las. O efeito gravitacional de lente é produzido tanto pela matéria visível como pela invisível: matéria escura. Os últimos resultados mostram que as galáxias nos “olhos do gato”, são as maiores dos grupos respectivos a que pertencem, e que se aproximam à velocidade de 130 km/s.

A imagem violeta (cor falsa) provém do observatório Chandra nos raios-X (satélite) e mostra a emissão de gás de hidrogénio, pouquíssimo denso, que preenche o espaço intergaláctico nos grupos. Estes dados também revelam que o “olho” esquerdo do grupo contém, no seu centro, um buraco negro supermassivo e ativo. A foto nos raios-X está sobreposta à obtida com o telescópio Hubble. A temperatura está nos milhões de graus, valor obtido pela colisão (a acontecer) entre estes dois grupos de galáxias.

A evolução final dos grupos em colisão será a criação duma gigantesca e central galáxia elíptica rodeada de umas tantas mais pequenas, o que se designa por “fóssil” da evolução de grupos galácticos. O grupo “Gato de Cheshire” é uma oportunidade de estudar esta evolução, que aliás é muito lenta pois calcula-se que a fusão dos grupos acontecerá daqui a 1 giga-ano (10^9 anos). O artigo foi publicado no The Astrophysical Journal, mas já há nome para este grupo no seu estágio fóssil: o do Ciclope (gigante mitológico de um único olho).